15/04/2007
Aos quinze dias do mês de abril do ano 2007 encerra-se a série O Brasil É O Bicho! exibida desde sete de janeiro do mesmo ano pelo programa Fantástico da Rede Globo de Televisão.
Durante quatorze domingos, milhões de pessoas viram pequenos trechos de uma obra intelectual inigualável: a BIODIVERSIDADE.
Seu autor, que a assina sob diversos pseudônimos, como Deus, Alá, Oxalá e Tupã, entre outros tantos, detém o sagrado direito à sua criação, conforme o descrito na LEI Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, especificamente em seu Título III:
Dos Direitos do Autor
Capítulo II
Dos Direitos Morais do Autor
Art. 24. São direitos morais do autor:
I - o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra;
...
IV - o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra;
V - o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada;
VI - o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem;
...
Art. 27. Os direitos morais do autor são inalienáveis e irrenunciáveis.
Os direitos do autor, claramente acima expressos, lhe garantem a opção de tipificar como criminoso quem adultera, em todo ou em parte, a sua criação. Esta mesma Lei, em seu Título II, nos permite uma interpretação bem ampla do conceito de autor:
Das Obras Intelectuais
Capítulo I
Das Obras Protegidas
Art. 7º. São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como:
As “criações do espírito”, assim como o é a biodiversidade, precisam e devem ser respeitadas, sob pena da mesma ser retirada de circulação, conforme prevê o Inciso VI do artigo 24.
A titularidade de uma obra intelectual é objetivamente definida pelo artigo 22 da mesma Lei:
Capítulo I
Disposições Preliminares
Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.
Dito tudo isto, fica aqui um apelo da equipe de produção do O Brasil é O Bicho!: vamos respeitar a LEI Nº 9.610!
A Lei dos Direitos Autorais, quando interpretada sob a ótica do direito à vida, nos remete à Lei da Criação: não podemos e não devemos nunca atentar contra o que não nos pertence.
Os nossos sinceros agradecimentos a todos que acompanharam esta série.
Dener Giovanini
Apresentador e Roteirista
Postado por: Dener Giovanini
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Uma violação aos direitos autorais
Aos quinze dias do mês de abril do ano 2007 encerra-se a série O Brasil É O Bicho! exibida desde sete de janeiro do mesmo ano pelo programa Fantástico da Rede Globo de Televisão.
Durante quatorze domingos, milhões de pessoas viram pequenos trechos de uma obra intelectual inigualável: a BIODIVERSIDADE.
Seu autor, que a assina sob diversos pseudônimos, como Deus, Alá, Oxalá e Tupã, entre outros tantos, detém o sagrado direito à sua criação, conforme o descrito na LEI Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, especificamente em seu Título III:
Dos Direitos do Autor
Capítulo II
Dos Direitos Morais do Autor
Art. 24. São direitos morais do autor:
I - o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra;
...
IV - o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra;
V - o de modificar a obra, antes ou depois de utilizada;
VI - o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem;
...
Art. 27. Os direitos morais do autor são inalienáveis e irrenunciáveis.
Os direitos do autor, claramente acima expressos, lhe garantem a opção de tipificar como criminoso quem adultera, em todo ou em parte, a sua criação. Esta mesma Lei, em seu Título II, nos permite uma interpretação bem ampla do conceito de autor:
Das Obras Intelectuais
Capítulo I
Das Obras Protegidas
Art. 7º. São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como:
As “criações do espírito”, assim como o é a biodiversidade, precisam e devem ser respeitadas, sob pena da mesma ser retirada de circulação, conforme prevê o Inciso VI do artigo 24.
A titularidade de uma obra intelectual é objetivamente definida pelo artigo 22 da mesma Lei:
Capítulo I
Disposições Preliminares
Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.
Dito tudo isto, fica aqui um apelo da equipe de produção do O Brasil é O Bicho!: vamos respeitar a LEI Nº 9.610!
A Lei dos Direitos Autorais, quando interpretada sob a ótica do direito à vida, nos remete à Lei da Criação: não podemos e não devemos nunca atentar contra o que não nos pertence.
Os nossos sinceros agradecimentos a todos que acompanharam esta série.
Dener Giovanini
Apresentador e Roteirista
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04/04/2007
Existe um sinônimo que expressa bem o significado da palavra edição: montagem. Cada frame de uma fita vira uma peça de um quebra-cabeça. E dos grandes. Quem entrar distraidamente numa ilha de edição vai se deparar com um emaranhado de imagens em diversos monitores. Ali se encontra o que se convencionou chamar de material bruto.
Uma série como “O Brasil é o Bicho!” vira um desafio para qualquer editor. São horas e horas de material gravado. Às vezes um único quadro possui entre 10 ou 12 horas de material gravado. Essas 12 horas precisam ser transformadas num quadro de 6 minutos. 11 horas e 54 minutos tem que ficar de fora.
O exercício de editar nunca é fácil. Independente do tempo que se dispõe para formatar um programa. Imagine que ao invés de um quadro de 6 minutos tivéssemos o tempo integral do Fantástico: 2 horas. Ainda assim teriam que ficar de fora 10 horas de material. É exatamente essa riqueza de opções e possibilidades que transformam o trabalho de edição numa intensa atividade de concentração, equilíbrio e exercício de lógica.
O manual de instruções de uma edição é o roteiro. É ele o guia mestre que vai orientar o editor na seleção de imagens e na narração da série. O roteirista tem que rever tudo o que foi gravado e selecionar o que é imprescindível para a compreensão da história que se propõe a contar. Juntos, roteirista e editor avaliam o material pré-selecionado e começam a montagem propriamente dita. Normalmente é assim que funciona. Cada equipe tem sua maneira de trabalhar. A nossa sempre procurou dividir as responsabilidades e estabelecer uma mútua cooperação de todos. E assim sempre deu certo.
No primeiro corte assume integralmente o comando o editor. Nessa fase a matéria que deverá ter 6 minutos ainda está com 15 ou 18 minutos. Cabe ao editor, nesse momento, a difícil arte de condensar o conteúdo, sempre atentando para não romper o raciocínio do roteiro. Uma vez alcançado o tempo pré-estabelecido, começa um outro grande desafio do editor: a arte-finalização. E esse nome não contém a palavra “arte” despropositadamente. É de fato um exercício artístico o que vem a seguir e que exige muita sensibilidade do profissional encarregado da tarefa: corrigir cores, encontrar a melhor trilha sonora, equalizar o som, enfim, transformar 6 minutos em algo belo de se ver e de se sentir.
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A edição
Existe um sinônimo que expressa bem o significado da palavra edição: montagem. Cada frame de uma fita vira uma peça de um quebra-cabeça. E dos grandes. Quem entrar distraidamente numa ilha de edição vai se deparar com um emaranhado de imagens em diversos monitores. Ali se encontra o que se convencionou chamar de material bruto.
Uma série como “O Brasil é o Bicho!” vira um desafio para qualquer editor. São horas e horas de material gravado. Às vezes um único quadro possui entre 10 ou 12 horas de material gravado. Essas 12 horas precisam ser transformadas num quadro de 6 minutos. 11 horas e 54 minutos tem que ficar de fora.
O exercício de editar nunca é fácil. Independente do tempo que se dispõe para formatar um programa. Imagine que ao invés de um quadro de 6 minutos tivéssemos o tempo integral do Fantástico: 2 horas. Ainda assim teriam que ficar de fora 10 horas de material. É exatamente essa riqueza de opções e possibilidades que transformam o trabalho de edição numa intensa atividade de concentração, equilíbrio e exercício de lógica.
O manual de instruções de uma edição é o roteiro. É ele o guia mestre que vai orientar o editor na seleção de imagens e na narração da série. O roteirista tem que rever tudo o que foi gravado e selecionar o que é imprescindível para a compreensão da história que se propõe a contar. Juntos, roteirista e editor avaliam o material pré-selecionado e começam a montagem propriamente dita. Normalmente é assim que funciona. Cada equipe tem sua maneira de trabalhar. A nossa sempre procurou dividir as responsabilidades e estabelecer uma mútua cooperação de todos. E assim sempre deu certo.
No primeiro corte assume integralmente o comando o editor. Nessa fase a matéria que deverá ter 6 minutos ainda está com 15 ou 18 minutos. Cabe ao editor, nesse momento, a difícil arte de condensar o conteúdo, sempre atentando para não romper o raciocínio do roteiro. Uma vez alcançado o tempo pré-estabelecido, começa um outro grande desafio do editor: a arte-finalização. E esse nome não contém a palavra “arte” despropositadamente. É de fato um exercício artístico o que vem a seguir e que exige muita sensibilidade do profissional encarregado da tarefa: corrigir cores, encontrar a melhor trilha sonora, equalizar o som, enfim, transformar 6 minutos em algo belo de se ver e de se sentir.
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28/03/2007
O desafio de escrever um roteiro, de construir uma frase ou de selecionar uma cena é um exercício absolutamente solitário. Uma solidão diferente, pois entre meus olhos e a tela de um monitor de TV, dentro de uma ilha de edição, ronda o vulto de milhões de seres humanos, com seus pensamentos, opiniões e entendimentos da vida próprios.
Um quadro que possui uma duração média de seis minutos, como é o caso de o “O Brasil é o Bicho!”, exige extremo cuidado no momento de ser escrito ou roteirizado. E ao contrário do que muitos possam imaginar, a fartura de boas imagens ou entrevistas torna o trabalho mais difícil. O texto narrativo, ou OFF – como é chamado na linguagem jornalística – tem que ser preciso, porém deve ser maleável em sua compreensão. A palavra ecossistema, por exemplo, pode ser compreensível para uma parte da população, porém pode soar absolutamente sem sentido para outra.
A diversidade de público que assiste a programas como o Fantástico é imensa. Um grande mosaico de profissões, escolaridades e, o mais importante, idade. Uma parcela considerável é formada pelas crianças. Todo esse público deve receber uma informação de fácil entendimento, porém a busca dessa facilidade jamais deve passar pela superficialidade de seu conteúdo.
Um outro cuidado que se deve ter quando se fala sobre bichos é o nome que os identificam. Devido aos regionalismos, muitas espécies recebem nomes diferentes dependendo da região onde se encontram. E como os seus nomes científicos – estes jamais mudam – são complexos, os mesmos não são recomendados. Veja o caso da Harpia, a maior ave de rapina do Brasil. Muitos só a conhecem pelos nomes de caçadeira, águia real, águia cinzenta, pega–macaco, e outras denominações menos freqüentes. Neste momento é que as imagens entram para reforçar o OFF.
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O roteiro
O desafio de escrever um roteiro, de construir uma frase ou de selecionar uma cena é um exercício absolutamente solitário. Uma solidão diferente, pois entre meus olhos e a tela de um monitor de TV, dentro de uma ilha de edição, ronda o vulto de milhões de seres humanos, com seus pensamentos, opiniões e entendimentos da vida próprios.
Um quadro que possui uma duração média de seis minutos, como é o caso de o “O Brasil é o Bicho!”, exige extremo cuidado no momento de ser escrito ou roteirizado. E ao contrário do que muitos possam imaginar, a fartura de boas imagens ou entrevistas torna o trabalho mais difícil. O texto narrativo, ou OFF – como é chamado na linguagem jornalística – tem que ser preciso, porém deve ser maleável em sua compreensão. A palavra ecossistema, por exemplo, pode ser compreensível para uma parte da população, porém pode soar absolutamente sem sentido para outra.
A diversidade de público que assiste a programas como o Fantástico é imensa. Um grande mosaico de profissões, escolaridades e, o mais importante, idade. Uma parcela considerável é formada pelas crianças. Todo esse público deve receber uma informação de fácil entendimento, porém a busca dessa facilidade jamais deve passar pela superficialidade de seu conteúdo.
Um outro cuidado que se deve ter quando se fala sobre bichos é o nome que os identificam. Devido aos regionalismos, muitas espécies recebem nomes diferentes dependendo da região onde se encontram. E como os seus nomes científicos – estes jamais mudam – são complexos, os mesmos não são recomendados. Veja o caso da Harpia, a maior ave de rapina do Brasil. Muitos só a conhecem pelos nomes de caçadeira, águia real, águia cinzenta, pega–macaco, e outras denominações menos freqüentes. Neste momento é que as imagens entram para reforçar o OFF.
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16/03/2007
Neste texto gostaria de compartilhar com os leitores do blog um pequeno momento de inspiração. Hoje, ao desembarcar em Brasília, vindo de uma intensa semana de trabalho na TV Globo, no Rio de Janeiro, pedi ao motorista do táxi que fizesse um caminho diferente. A razão do meu pedido tinha surgido durante o vôo.
Logo após a decolagem, lembrei-me da última “recomendação” que recebi do meu colega Flavio Furtado, responsável pelo conteúdo do site do Fantástico: Dener, por favor, não esquece de me enviar o texto dessa semana para o blog!!! O reforço no ponto de exclamação serve para tentar traduzir o sentido de quase apelo na voz dele, uma vez que, confesso, não tenho escrito com a devida freqüência. Acomodado num assento de uma aeronave excepcionalmente vazia, abri meu laptop e tentei começar a escrever algo para me redimir com o Flavio.
Durante a primeira hora do vôo confesso que olhei mais para a paisagem do que para a tela do computador. Buscava, observando os “vazios” no Cerrado abaixo de nós, um tema para o meu texto. Decidi escrever sobre o episódio do próximo domingo: as borboletas. Como sempre faço, iniciei materializando tudo o que me vinha à mente. Sem nenhuma censura. Aspectos biológicos desses animais, lendas e histórias que ouvi durante as viagens de gravação da série, enfim, apenas frases soltas.
Entre elas estava um nome: Olavo Bilac.
Em algum momento do meu “vôo interno” me veio à memória um poema desse grande escritor. Essa poesia chama-se A Borboleta e foi escrita no início do século passado. São poucos os escritores que dedicaram parte do seu tempo para falar às crianças. Olavo Bilac foi um deles e o fazia com maestria. Seus textos para o público jovem possuem mensagens profundas, que demonstram uma verdadeira preocupação com o meio ambiente e, por que não, uma alta sensibilidade para prever o futuro. Sua obra é atualíssima. Leiam a seguir o poema que citei e mais um chamado O Pássaro Cativo:
A BORBOLETA
Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda! É toda preta,
Com listas douradas na asa.
Tonta, nas mãos de criança,
Batendo as asas, num susto,
Quer fugir, porfia, cansa,
E treme, e respira a custo.
Contente, o menino grita:
“É a primeira que apanho,
Mamãe! Vê como é bonita!
Que cores e que tamanho!
Como voava no mato!
Vou sem demora pregá-la
Por baixo do meu retrato,
Numa parede da sala.”
Mas a mamãe, com carinho,
Lhe diz: “Que mal te fazia,
Meu filho, esse animalzinho,
Que livre e alegre vivia?
Solta essa pobre coitada!
Larga-lhe as asas, Alfredo!
Vê como treme assustada...
Vê como treme de medo...
Para sem pena espetá-la
Numa parede, menino,
É necessário matá-la:
Queres ser um assassino?”
Pensa Alfredo... E, de repente,
Solta a borboleta... E ela
Abre as asas livremente,
E foge pela janela.
“Assim, meu filho! Perdeste
A borboleta dourada,
Porém na estima crescente
De tua mãe adorada...
Que cada um cumpra a sorte
Das mãos de Deus recebida:
Pois só pode dar a Morte
Aquele que dá a Vida.”
O PÁSSARO CATIVO
Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Porque é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
“Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade...
Quero voar! voar!...”
Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
A porta da prisão...
Esses textos de Bilac conseguiram vencer a memória do tempo e continuam buscando exaltar, com muita eloqüência, a necessidade de mudarmos a nossa relação com a natureza.
Como disse no início, mudei meu roteiro habitual ao desembarcar em Brasília. Mudei por causa do poeta. Ao fim do vôo, pensava em duas coisas: resgatar em minha biblioteca os livros desse escritor e em relembrar uma poesia também escrita por ele e que recebeu uma melodia de Francisco Braga. Da parceria entre os dois nasceu um dos mais lindos hinos brasileiros, que aproveito para reproduzir abaixo e assim, quem sabe, ajudar algum internauta a relembrar o seu tempo de escola. Foi cantarolando esse hino que segui margeando o Lago Paranoá até chegar à Praça dos Três Poderes, onde, bem pertinho do panteão nacional, pude homenagear silenciosamente e apenas em minha mente, esse ecologista do século passado. Viva Olavo Bilac! Obrigado Poeta!
PS: está ai seu texto, Flavio!
HINO A BANDEIRA NACIONAL
(Olavo Bilac – Francisco Braga)
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Postado por: Dener Giovanini
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Pátria, poemas e natureza
Neste texto gostaria de compartilhar com os leitores do blog um pequeno momento de inspiração. Hoje, ao desembarcar em Brasília, vindo de uma intensa semana de trabalho na TV Globo, no Rio de Janeiro, pedi ao motorista do táxi que fizesse um caminho diferente. A razão do meu pedido tinha surgido durante o vôo.Logo após a decolagem, lembrei-me da última “recomendação” que recebi do meu colega Flavio Furtado, responsável pelo conteúdo do site do Fantástico: Dener, por favor, não esquece de me enviar o texto dessa semana para o blog!!! O reforço no ponto de exclamação serve para tentar traduzir o sentido de quase apelo na voz dele, uma vez que, confesso, não tenho escrito com a devida freqüência. Acomodado num assento de uma aeronave excepcionalmente vazia, abri meu laptop e tentei começar a escrever algo para me redimir com o Flavio.
Durante a primeira hora do vôo confesso que olhei mais para a paisagem do que para a tela do computador. Buscava, observando os “vazios” no Cerrado abaixo de nós, um tema para o meu texto. Decidi escrever sobre o episódio do próximo domingo: as borboletas. Como sempre faço, iniciei materializando tudo o que me vinha à mente. Sem nenhuma censura. Aspectos biológicos desses animais, lendas e histórias que ouvi durante as viagens de gravação da série, enfim, apenas frases soltas.
Entre elas estava um nome: Olavo Bilac.
Em algum momento do meu “vôo interno” me veio à memória um poema desse grande escritor. Essa poesia chama-se A Borboleta e foi escrita no início do século passado. São poucos os escritores que dedicaram parte do seu tempo para falar às crianças. Olavo Bilac foi um deles e o fazia com maestria. Seus textos para o público jovem possuem mensagens profundas, que demonstram uma verdadeira preocupação com o meio ambiente e, por que não, uma alta sensibilidade para prever o futuro. Sua obra é atualíssima. Leiam a seguir o poema que citei e mais um chamado O Pássaro Cativo:
A BORBOLETA
Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda! É toda preta,
Com listas douradas na asa.
Tonta, nas mãos de criança,
Batendo as asas, num susto,
Quer fugir, porfia, cansa,
E treme, e respira a custo.
Contente, o menino grita:
“É a primeira que apanho,
Mamãe! Vê como é bonita!
Que cores e que tamanho!
Como voava no mato!
Vou sem demora pregá-la
Por baixo do meu retrato,
Numa parede da sala.”
Mas a mamãe, com carinho,
Lhe diz: “Que mal te fazia,
Meu filho, esse animalzinho,
Que livre e alegre vivia?
Solta essa pobre coitada!
Larga-lhe as asas, Alfredo!
Vê como treme assustada...
Vê como treme de medo...
Para sem pena espetá-la
Numa parede, menino,
É necessário matá-la:
Queres ser um assassino?”
Pensa Alfredo... E, de repente,
Solta a borboleta... E ela
Abre as asas livremente,
E foge pela janela.
“Assim, meu filho! Perdeste
A borboleta dourada,
Porém na estima crescente
De tua mãe adorada...
Que cada um cumpra a sorte
Das mãos de Deus recebida:
Pois só pode dar a Morte
Aquele que dá a Vida.”
O PÁSSARO CATIVO
Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Porque é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
“Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade...
Quero voar! voar!...”
Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
A porta da prisão...
Esses textos de Bilac conseguiram vencer a memória do tempo e continuam buscando exaltar, com muita eloqüência, a necessidade de mudarmos a nossa relação com a natureza.
Como disse no início, mudei meu roteiro habitual ao desembarcar em Brasília. Mudei por causa do poeta. Ao fim do vôo, pensava em duas coisas: resgatar em minha biblioteca os livros desse escritor e em relembrar uma poesia também escrita por ele e que recebeu uma melodia de Francisco Braga. Da parceria entre os dois nasceu um dos mais lindos hinos brasileiros, que aproveito para reproduzir abaixo e assim, quem sabe, ajudar algum internauta a relembrar o seu tempo de escola. Foi cantarolando esse hino que segui margeando o Lago Paranoá até chegar à Praça dos Três Poderes, onde, bem pertinho do panteão nacional, pude homenagear silenciosamente e apenas em minha mente, esse ecologista do século passado. Viva Olavo Bilac! Obrigado Poeta!
PS: está ai seu texto, Flavio!
HINO A BANDEIRA NACIONAL
(Olavo Bilac – Francisco Braga)
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
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11/03/2007
Desde a estréia da série no Fantástico a resposta do público sempre foi constante. A cada episódio apresentado, recebo centenas de comentários através de e-mails, postagens no blog e cartas, além, é claro, das conversas pessoais com os telespectadores que encontro nas ruas, aeroportos, hotéis ou restaurantes. Esse retorno é muito gratificante para quem faz um trabalho como o que eu faço. É excelente saber como o público reage, se ele aprova ou não o que viu e ouviu.
Faço questão de ler cada um dos comentários. Mesmo que eu não consiga responder a todos pessoalmente, eles cumprem o seu papel: me influenciam, me fazem refletir e, principalmente, me estimulam a continuar acreditando que vale a pena apostar num país como o nosso.
Entre tantas correspondências, me chama atenção a grande quantidade de mensagens escritas por crianças, como a do Cláudio Moreira, que escreveu: Tenho uma pergunta para o senhor Dener Giovanini. O senhor fez algum curso de ambientalista? Onde existe esse curso? Tenho 10 anos e quero ajudar os animais também. O senhor pode me ajudar? A boa notícia aqui é que o Cláudio não está sozinho em sua intenção. Várias outras crianças também têm expressado sua preocupação com o meio ambiente. Essa parcela do público que assiste ao Fantástico faz aumentar muito a nossa responsabilidade. São elas, as crianças, que de fato decidirão o nosso destino. A nossa geração infelizmente não tem bons resultados a mostrar. Nós estamos legando para os jovens de amanhã não apenas a responsabilidade de cuidar do meio ambiente, mas, principalmente, a árdua tarefa de tentar consertar as nossas falhas.
Ao Cláudio eu gostaria de responder aqui, publicamente:
Cláudio, muito obrigado pela sua mensagem. Peço-lhe desculpas por tomar a liberdade de compartilhar minha resposta para você com todas as pessoas que acessam o nosso blog, tá?
Quanto a sua pergunta a resposta é muito simples: você já está fazendo o curso de ambientalista. Seu pensamento a favor da natureza é o seu certificado de aprovação. Ser ambientalista é agir como você: ser uma pessoa que de fato se importa com o que estamos fazendo com o meio ambiente. Continue assim. Procure sempre ler e se informar sobre como a natureza é sábia. Parabéns Cláudio. Um grande abraço! Dener.
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Carta aberta
Desde a estréia da série no Fantástico a resposta do público sempre foi constante. A cada episódio apresentado, recebo centenas de comentários através de e-mails, postagens no blog e cartas, além, é claro, das conversas pessoais com os telespectadores que encontro nas ruas, aeroportos, hotéis ou restaurantes. Esse retorno é muito gratificante para quem faz um trabalho como o que eu faço. É excelente saber como o público reage, se ele aprova ou não o que viu e ouviu.
Faço questão de ler cada um dos comentários. Mesmo que eu não consiga responder a todos pessoalmente, eles cumprem o seu papel: me influenciam, me fazem refletir e, principalmente, me estimulam a continuar acreditando que vale a pena apostar num país como o nosso.
Entre tantas correspondências, me chama atenção a grande quantidade de mensagens escritas por crianças, como a do Cláudio Moreira, que escreveu: Tenho uma pergunta para o senhor Dener Giovanini. O senhor fez algum curso de ambientalista? Onde existe esse curso? Tenho 10 anos e quero ajudar os animais também. O senhor pode me ajudar? A boa notícia aqui é que o Cláudio não está sozinho em sua intenção. Várias outras crianças também têm expressado sua preocupação com o meio ambiente. Essa parcela do público que assiste ao Fantástico faz aumentar muito a nossa responsabilidade. São elas, as crianças, que de fato decidirão o nosso destino. A nossa geração infelizmente não tem bons resultados a mostrar. Nós estamos legando para os jovens de amanhã não apenas a responsabilidade de cuidar do meio ambiente, mas, principalmente, a árdua tarefa de tentar consertar as nossas falhas.
Ao Cláudio eu gostaria de responder aqui, publicamente:
Cláudio, muito obrigado pela sua mensagem. Peço-lhe desculpas por tomar a liberdade de compartilhar minha resposta para você com todas as pessoas que acessam o nosso blog, tá?
Quanto a sua pergunta a resposta é muito simples: você já está fazendo o curso de ambientalista. Seu pensamento a favor da natureza é o seu certificado de aprovação. Ser ambientalista é agir como você: ser uma pessoa que de fato se importa com o que estamos fazendo com o meio ambiente. Continue assim. Procure sempre ler e se informar sobre como a natureza é sábia. Parabéns Cláudio. Um grande abraço! Dener.
Postado por: Dener Giovanini
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